quarta-feira, 31 de agosto de 2011

"A epidemia da saúde mental"

Recebi esse link enviado por Pedro Santos, pelo grupo do yahoo([psicologiaceara]), um excelente artigo da revista Piauí (edição 59)escrito por Marcia Angell, sobre o uso da medicalização e consequentemente sobre os conceitos de psicopatologia no meio médico da atualidade.

É um questionamento riquíssimo que confronta essa medicalização compulsória adotada pelos psiquiatras, que no final das contas, criou na sociedade (e em alguns meios "psis") o pensamento de que a doença é fruto da falta de uma substância química, o que regulando-a, gerará a cura no paciente.

Essa posição é, na minha opinião, muito bem recebida pela sociedade, pois põe a mesma exatamente nessa posição: de ser passivo (paciente). Sendo que é fundamental a posição desse no processo, de forma ativa na busca da sua "cura".

Existem casos que o ponto de partida da doença foi esse desequilíbrio químico (alvo do remédio), que gerou uma estrutura fóbica ou depressiva...mas em muitos, o desequilíbrio é consequencia de algo que a medicalização acaba mascarando, se não acompanhada de um processo terapêutico. O ponto mais infeliz da medicalização compulsória que os psiquiatras acabam aderindo, é o que está por trás, uma rede bilionária da indústria farmacêutica....

Enquanto psicólogo, reconheço a importância da medicalização, mas acompanhada de um processo psicoterápico, seja pelo psiquiatra ou por um psicólogo.Pois quando realmente necessária, esse medicamento irá proporcionar ao cliente, o "desacorrentamento" necessário para esse buscar o seu equilíbrio psíquico/emocional.

Como diz no texto, seria afirmar que a dor de cabeça é causada pela falta de aspirina...

Adianto-me desde já, e isso a partir de uma reação que eu presenciei no facebook diante dessa discussão, que esses argumentos não desqualificam o sofrimento de quem teve ou tem algum desses diagnósticos, de forma alguma. Na verdade penso que o pensamento psiquiátrico (generalizo mas reconheço excelentes psiquiatras, principalmente porque pensam de forma crítica a essa medicalização compulsória) acomodou-se em explicar os fenômenos como a falta de certas substâncias, e isso gerou nos acometidos por esses diagnósticos em anos de medicalização, de altos e baixos, sem enxergar no fim do túnel uma luz que indique a mudança, e isso porque a solução não está apenas no remédio, quando este realmente é fundamental ... causando no "paciente" um estigma, uma representação social de ... doente. E isso está errado, no meu ponto de vista...

É isso, boa leitura.

Retomando movimentação ...

Incrível como o tempo muda as coisas...

Vou retomar as atividades desse blog, depois de quase um ano, e pra comprovar como o tempo muda, ou que pelo menos com um certo tempo, pelo menos nossa impressão sobre as coisas mudam, até que a Dilma está fazendo um bom governo, eim?!

Vamos que vamos ...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Consolidando bases

O título desta postagem é uma frase muito comum de se ouvir em época de eleições. Não que não seja meu objetivo com ela, também é, mas principalmente, explicar o conteúdo (e contexto) deste blog.

A base que tenho interesse em consolidar aqui é a filosófica deste blog. Pois bem, por que falar de POLÍTICA se o foco seria PSICOLOGIA?

Simples! O ser-humano no qual me proponho falar sobre e para, está diretamente ligado aos estudos psicológicos. Eu poderia comparar com a economia, p.ex.. Pois nesta existem os estudos da MICROECONOMIA e da MACROECONOMIA. Aonde na primeira os agentes econômicos são vários indivíduos que consomem, fornecem, etc, e na última, o foco é o estudo em larga escala da economia.

Portanto, enquanto sujeito, ele pode ter sua identidade absolutamente única, que é sua SUBJETIVIDADE, na qual a PSICANÁLISE é uma grande colaboradora para os estudos nessa área. Mas esse sujeito não está só, ele encontra-se em RELAÇÃO, portanto, em sociedade (naquela tal da pólis, lembram?), e nesse aspecto trago o primeiro a pensar nisso, J.L.Moreno, criador da SOCIONOMIA/PSICODRAMA, aonde todos estamos interligados, existe uma grande rede sociométrica nos ligando (o que é fácil de compreendermos hoje em dia, graças ao orkut!).

Enfim, meu foco atualmente está sendo nesse indivíduo interligado, vivendo em relação, pois grande parte da nossa subjetividade está influenciada por isso. É O SER CULTURAL!!! Ou em outras palavras mais científicas, é o ser SÓCIO-HISTÓRICO.

Portanto, a política (tema dos meus últimos posts), a cultura (outro tema mais antigo, vejam os em que eu escrevo sobre a TV), a saúde, a educação, o lazer, a lei, ... TUDO É FOCO DA PSICOLOGIA! pois em tudo o ser-humano está inserido.

sábado, 1 de maio de 2010

Psicoterapia de Grupo - Concretizando uma idéia

Há praticamente um ano atrás, em uma conversaq informal com um professor na faculdade, ele me contou seu desejo em montar um grupo de psicoterapia.

Achei fantástico!

Naquele momento estava mudando o rumo da minha vida, saindo da área organizacional para me aventurar na educacional, e retomando também a administrativa, cuidando da instituição de psicodrama do meu pai.

Topei, na certa.

Sou formado em Psicodrama, faltando apenas a conclusão e entrega de minha monografia. Portanto entendo profundamente o efeito do grupo psicoterapêutico, além da visão moreniana do homem relacional.

Muita leitura técnica: Irvin Yalom, "Teoria e Técnica de Psicoterapia de Grupo", capítulo 10, para aprender a iniciar o grupo, escolher os integrantes e definir o tipo de grupo que há de começar. E depois o cap 11, iniciando o grupo...

Bom, minhas dificuldades foram administrativas: O SPA estava passando por um monento de transição, se vinculando ao SUS, e os pacientes tinham que enfrentar uma "pequena" fila para vir ter os atendimentos. Veio a lentidão, e o grupo não mostrou sinal de vida em 2009.

Então veio 2010. Os processos administrativos já estavam mais "entrosados" esse ano. MInha meta era iniciar o grupo após o carnaval. Mas não tinha pacientes o sufuciente. Fiquei com a missão de limpar as gavetas do SPA, ligando para pacientes interrompidos e avaliando interesse em participar do grupo. Consegui três. Outro já estava inscrito no ano passado. Oba, quatro já é grupo! Começamos em Abril, véspera da semana santa.

Quase um ano, apanhando, mas ainda sim, não é o suficiente, uma desistência, é preciso mais gente para que o efeito do grupo seja realmente eficaz.

Por que Psicoterapia de Grupo?

Na próxima postagem eu digo...

Abs.,

FTA

sábado, 24 de abril de 2010

Blogando de novo...

Mais de 4 meses longe do Blog, sem nenhuma falta aparente no meu cotidiano virtual. Mas cá estou novamente, papeando ao léu...

Vou falar sem nenhuma autoridade no assunto, nem breve pesquisa no google. Mas ontem estava em uma livraria e me deparei com o livro "Aprendendo a Viver" de Clarice Lispector, quis comprar, mas final de mês não tem quem aguente, então deixei para outra data. Enfim, no livro havia uma coletanea de crônicas dela, aonde ela se remetia ao seu passado, com vivências alegres e tristes, no geral, experiências que a ensinaram em vários sentidos. Simplesmente crônicas, retiradas da coletânea "A descoberta do mundo".

Mas o que me chamou ma a atenção, foi o modelo, que por sinal ela quiestiona a Rubem Braga este formato da crônica, aonde dizia algo do tipo, "não quero que saibam da minha vida, por mais que muitas experiências tenham sido ótimas para compartilhar com todos, sinto-me invadida", algo do tipo, em outras palavras (o que consta aqui está perpassado pela minha interpretação, filtre sempre).

E veio o simples "insight", que certamente os estudiosos já o tiveram há dez anos atrás: o que fazemos com o blog agora, já era feito há 40, 60, 80 anos atrás, ou mais.

A única surpresa é a facilidade. Como agora. Brinquei com minha filha, ela se cansou (eu também...) e deitou-se para assistir um pouco de TV, e eu vim fingir que sei escrever coisas bacanas, dando uma de pensador! Simples, e muito em breve, ao alcance de todos, com a democratização digital.

Bom, vou tentar criar meu cotidiano crônico, ou blogado.

Abraço,

FTA

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Televisão de hoje, de ontem... e amanhã?

Agora há pouco, no trabalho, resolvi descansar um pouco e assistir alguns vídeos no YouTube, fui direto e certeiro à minha querida Bossa Nova. Quando assistindo esse vídeo, um tanto quanto pesado, inclusive, de Chico e Milton cantando O que será ( a flor da pele ), me dei conta de que via uma gravação de um programa dos anos 80, do Chico e Caetano. E pensei na nossa televisão atual (pelo menos dos últimos quase 20 anos...).

Quanta merda!!!

As músicas tocadas, os shows ao vivo ou gravados, que são apresentados são de músicas bestas, apelativas, tudo visando o lucro em cima (não tão literalmente) de bundas rebolando, ensinando as criancinhas a "descerem" até o chão...

Não sei, me sinto um velho escrevendo isso, e pensar que sou dessa geração, minha idade não me permite negar, mas passo a me rotular de retrógrado, conservador...

As apresentações que louvo de antigamente, no caso de uma geração em grande parte contrária a um sistema opressor que vingava na época, talvez houvessem conservadores como eu hoje em dia, criticando aquela rebeldia permitida...

Perdõem-me os grandes músicos da atualidade se entenderam que nego suas existências, não é isso...:

CRITICO PARTE DA SOCIEDADE E A MÍDIA POR EXALTAREM A BANALIDADE DO SER-HUMANO

Se hoje é assim, o que será de amanhã?

Eu até que sou fiel à famosa frase: "os incomodados que se retirem". Eu o faço, mudo de canal, assisto um dvd, faço sexo, leio um livro, vou brincar com minha filha, o que der na telha eu faço...

Só que me sinto forçado a questionar, pois vejo isso como uma fotografia da nossa sociedade, e faço parte dele, sou um ser dessa pólis, ora bolas...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

SPA-SUS - MAIS RESPOSTAS !

Recebi outra resposta, dessa vez da Profª Luiza Freitas, responsável pelo SPA.

Questiono quando diz que houve discussões sobre a parceria SPA-SUS, pelo menos com o alunos, e se houve, questiono a divulgação, ou a importância dada à mesma.

Mas o que é importante ressaltar é com relação ao diálogo com os alunos. Todas as diretorias estão abertas para esse diálogo, mas de que forma os alunos estão se mobilizando? Existe um abaixo-assinado, que pelo menos centraliza as pessoas quanto ao tema.

CADÊ O C.A.?

Enfim... segue abaixo a resposta da profª, e logo em seguida a minha à mesma.

xxx

Caro Felipe:

Gostaríamos de registrar que o fluxo para inscrição/atendimento de pacientes no
Serviço de Psicologia Aplicada – SPA/NAMI foi apresentado e discutido junto aos
professores-orientadores (dia 10/09/09) e com o corpo discente do SPA
(23/09/09), reuniões amplamente divulgadas. Aprovamos e implantamos o fluxo em
setembro e estivemos sempre atentos às dificuldades que surgiram no cotidiano do
trabalho, dialogando com alunos e professores no sentido de superarmos os
impasses desse processo.

O tema da II Jornada do SPA – Prática Psicológica no Contexto das Políticas
Públicas de Saúde – realizada dias 19 e 20/11, refletiu a conjectura atual da
instituição por vezes que esta se encontra em fase de inserção no Sistema Único
de Saúde. A jornada possibilitou a reflexão acerca das políticas públicas de
saúde e suas implicações na formação do psicólogo. A produção da II Jornada
será registrada em ata e deverá nortear esse processo de gestão e formação do
psicólogo na UNIFOR.

Destacamos ainda que o novo fluxograma da graduação em psicologia e o mercado de
trabalho do psicólogo preveêm uma formação que posicione o aluno face às
políticas públicas nos diversos campos de sua atuação, em acordo com a Lei que
regulamenta os cursos de graduação em psicologia.

Por fim reafirmamos nossa disposição para o diálogo acadêmico construtivo.

Atenciosamente,
Grupo Gestor do Curso de Psicologia
Conselho Consultivo do SPA

xxx

Prezada profª Luiza,

Obrigado pela resposta.

Vejo de maneira riquíssima a postura de adequarmo-nos à políticas públicas, tendo em vista além do campo de trabalho, nossa postura política na sociedade.

O que questiono são as maneiras. Pois nós tinhamos um sistema que funcionava e era independente. Mas agora vamos ter que nos submeter a uma burocratização paralisante (o que é quase que uma redundância). E se isso não fosse verdade todas as pessoas seriam atendidas nos serviços públicos, o que não acontece. E agora com o ato médico, haverá uma burocratização maior, além de absurda. E revelo que, existem pacientes que eu quero tirar do plantão para dar continuidade, e todos me revelam que estão aguardando atendimento do clínico geral para então receber o nº de transação.

Eu particularmente, sou a favor trabalharmos dentro do SUS, mas penso que podíamos ser mais independentes. Como? Ainda não sei, estou me familiarizando com tudo isso. Mas se o próprio NAMI gerasse os nºs de transação, já seria um progresso. Veja o que isso significa: estaríamos dentro de um sistema público, MAS FUNCIONANDO! Pois se dependermos deles, seremos um potencial de mãos atadas.

Mas espero que todos os alunos possam se posicionar e refletir a respeito. Por isso, divulgo sua resposta, assim como o fiz com a do Dr. Flávio Ibiapina, no blog abaixo da minha assinatura.

Atenciosamente,

--
Felipe Torres Amato


Por favor, pense na questão ambiental antes de imprimir esse email.
Avant d’imprimer cet email réfléchissez à l’impact sur l’environnement, merci.
Please consider the environment before printing this mail.